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LADIP realiza encontro sobre os 80 anos da ONU e as transformações da política mundial

  • Foto do escritor: Columba Journal
    Columba Journal
  • 16 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Em comemoração aos 80 anos da Organização das Nações Unidas (ONU), a Liga Acadêmica de Direito Internacional e Práticas Jurídicas (LADIP) promoveu, no dia 30 de outubro, às 15h, um debate especial sobre o papel da ONU diante das transformações da ordem global. O encontro, realizado no Departamento de Ciências Humanas (DCH2), contou com a presença do Dr. Thiago Carvalho Borges, Doutor em Direito Internacional pela USP, com mediação de Tiago Alves, Diretor de Ensino da LADIP, e participação da Prof.ª Ana Beatriz Lisboa, orientadora da Liga.


O evento reuniu estudantes, pesquisadores e docentes para discutir as principais tensões contemporâneas da governança internacional, especialmente frente à ascensão de novas potências, como China e Índia, e o desgaste do sistema de cooperação construído no pós-Segunda Guerra Mundial.

A ascensão do Oriente e o desgaste da liderança ocidental


Durante sua exposição, o Dr. Thiago Borges destacou que a ordem internacional vive um momento de inflexão histórica. Para ele, o ponto de virada ocorreu quando a China assumiu um ritmo acelerado de desenvolvimento, sobretudo entre os anos 2000 e 2010, combinando industrialização, transferência tecnológica e inclusão massiva de sua população no mercado consumidor.


Segundo ele, o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, não antecipou a velocidade dessa transformação. Duas crises, os ataques de 11 de setembro e a crise imobiliária de 2008, fragilizaram a economia e a política externa norte-americana, abrindo espaço para a ascensão chinesa.

“Nada do que os Estados Unidos fazem hoje é capaz de interromper o avanço da China. O modelo chinês está sendo copiado e adaptado por outros países — e o próximo gigante em ascensão é a Índia”, afirmou o convidado.

Cooperação internacional em xeque

O debate também abordou o impacto do governo Trump no sistema multilateral. Para o pesquisador, a estratégia norte-americana foi marcada por uma postura empresarial e de confronto direto:

“Trump não age como chefe de Estado. Ele age como empresário. Sua lógica foi minar o sistema cooperativo para retomar a reciprocidade, impondo tarifas e pressão econômica a diversos países”, explicou.

Esse movimento, segundo Borges, resultou no colapso parcial de instituições fundamentais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e ampliou a incerteza sobre o futuro da cooperação internacional.


Enquanto isso, a China preenche esse vácuo com uma diplomacia econômica agressiva, criando dependências estruturais, sobretudo na África, mas sem recorrer à imposição militar típica das potências ocidentais.

Brasil, protagonismo diplomático e o debate sobre o Conselho de Segurança

O encontro ganhou contornos ainda mais relevantes quando a discussão se voltou ao papel do Brasil na ONU. Borges ressaltou a força histórica da diplomacia brasileira e a presença contínua do país em espaços estratégicos, como a Corte Internacional de Justiça e os debates de codificação jurídica.


O público participou ativamente, questionando sobre a busca do Brasil por uma vaga permanente no Conselho de Segurança. Borges foi enfático:

“O Brasil sempre foi protagonista na ONU e continua sendo uma referência mundial em diplomacia. Mas integrar o Conselho de Segurança como membro permanente exigiria um aparato militar e econômico que traria custos altos ao país.”

Para ele, ampliar o Conselho é necessário, mas o desafio político permanece: qualquer reforma precisa ser aprovada pelos próprios membros permanentes — um obstáculo que há décadas impede mudanças estruturais.

Desafios culturais e o futuro da ordem internacional

Um dos pontos altos do evento foi a reflexão sobre identidade cultural e as transformações simbólicas que acompanham o deslocamento do poder global. O professor observou que a influência cultural asiática (como doramas, k-pop e produtos midiáticos) ilustra a mudança no fluxo de poder cultural, tradicionalmente dominado pelo Ocidente.

“Nós imitamos o Ocidente, mas não somos ocidentais. Somos periféricos dentro dessa lógica. E é nesse cenário que a ascensão do Oriente se estabelece como um caminho sem volta”, concluiu.

A LADIP e o compromisso com debates globais

O encontro reafirmou o compromisso da LADIP com a promoção de debates qualificados sobre relações internacionais e Direito Internacional, aproximando a comunidade acadêmica das grandes questões que moldam o mundo contemporâneo.


A presença do Dr. Thiago Borges, aliada à mediação de Tiago Alves e às contribuições da Prof.ª Ana Beatriz Lisboa, possibilitou uma reflexão profunda sobre os 80 anos da ONU: seus avanços, seus limites e os desafios para o futuro da cooperação internacional.


A Liga segue promovendo atividades que dialogam com o cenário global e fortalecem a formação crítica dos estudantes.


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